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sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril, sempre

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Tem sido na voz dos poetas que os valores do 25 de Abril mais têm sido invocados e são eles que melhor têm simbolizado a esperança pela “Liberdade”.
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Associando-se ás comemorações deste dia, Rabiscos Lousenses publicam um excerto de três poemas de autores portugueses, que além da beleza poética que encerram, reflectem bem a força desses ideais.
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Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
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(“Trova do Tempo que Passa” – Manuel Alegre)

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

(“As portas que Abril abriu “ – Ary dos Santos)

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança

(“Pedra Filosofal” – António Gedeão)

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Afinal também nevou na Lousa

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É verdade, também nevou na Lousa. Pouca, mas nevou. Não deu para a fotografia, pelo menos por enquanto, mas deu para apreciar a beleza de a ver cair.
Em Castelo Branco caiu neve por volta das 8h30 e das 14h00. Ás 14h00 também caía na Lousa.
Ao ver, da minha janela, cair esses pequenos farrapinhos de neve, veio-o à lembrança, aquele lindo poema de Augusto Gil sobre a neve, que estava no nosso livro da 1ª classe (anos 50/60) e que quase todos o sabiam de cor.
Aqui o deixo para quem quiser recordar:
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Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
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É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
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Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
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Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
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Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
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Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
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E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
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Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
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E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
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(Poema de Augusto Gil)
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