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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quem foi Guilhermino Augusto de Barros

Guilhermino Augusto de Barros nasceu em São Faustino - Peso de Régua em 17-11-1828 no seio de uma família de pequenos lavradores locais, filho único de Francisco Manuel de Barros e de Maria Máxima. Faleceu em Lisboa no dia 16-04-1900 e jaz sepultado no jazigo de família, no Adro da Igreja de Alvações do Corgo.

Foi Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra onde foi condiscípulo de Manuel Vaz Preto Giraldes, de quem ficou grande amigo ao longo de toda a vida. Casou, em 1850, com Júlia Vaz Preto Giraldes, meia irmã de Manuel Vaz Preto Giraldes, que vivia em Lisboa num convento e que depois de casar, foi com o marido viver para a Lousa para casa do seu meio-irmão.

Foi na Lousa que Guilhermino Augusto de Barros e Júlia Vaz Preto Giraldes tiveram e baptizaram dois filhos:

- Guilhermino Augusto de Barros Vaz Preto Giraldes, nasceu na Lousa em 06-07-1871 e foi baptizado nesse mesmo ano, tendo como padrinhos o P.e Joaquim Augusto de Barros e D. Maria Joanna. Casou em 1897 em Coimbra com Maria de Sande Mexia Aires de Campos, filha dos primeiros Condes do Ameal.

- Maria Máxima Vaz Preto de Barros, nasceu na Lousa em 10-06-1876 e foi baptizada nesse mesmo ano, tendo como padrinhos Pedro d’Ordaz Caldeira e D. Maria Benedicta. Casou em 1902 em Lisboa (Anjos) com Francisco Morão Pinheiro Ramos de Athayde.

Em 26-09-1865 foi nomeado Governador Civil de Castelo Branco, tendo sido exonerado em 14-01-1868; em 07-12-1869 foi novamente nomeado Governador Civil de Castelo Branco, tendo sido exonerado em 23-06-1870; foi ainda nomeado Governador Civil de Bragança por decreto de 08-08-1860 tendo tomado posse no dia 7 do mês seguinte; foi também nomeado Governador Civil de Lisboa, tendo tomado posse em 11 de Maio de 1877 até Janeiro de 1878.

Entre 1858 e 1885 foi eleito diversas vezes deputado por Chaves, Vila Real, Covilhã e Idanha-a-Nova; foi eleito Par do Reino em 1885, por Lisboa, e nomeado Par do Reino vitalício em 1898; em 1877 foi nomeado director-geral dos Correios e Telégrafos e em 1882 foi nomeado no cargo de director-geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, a recém criada direcção geral de que foi o primeiro titular, tendo ocupado este cargo até 1893; em 1884 foi nomeado director-geral do Comércio e Indústria.

Foi à frente da Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, que mais se notabilizou: promoveu e alargou a base de funcionamento dos correios, criando um serviço postal como hoje o conhecemos; participou em diversas conferências internacionais e em 1885 organizou um Congresso Postal em Lisboa; escreveu relatórios e memorandos sobre os sistemas postais; montou a rede de faróis da costa portuguesa, e mais tarde promoveu a criação da rede telefónica, assinando em nome do governo o contrato com os ingleses, que trouxeram o primeiro telefone para Portugal.

A título de curiosidade refira-se que a 26 de Abril de 1882, quando o Director Geral dos Correios, Guilhermino de Barros, inaugurou a rede telefónica da capital, a companhia britânica tinha 15 subscritores. Um mês mais tarde era publicada a primeira lista telefónica, totalizando 22 assinantes ligados à rede da Edison. A Companhia cobrava uma taxa fixa anual, independentemente do número de conversações efectuado pelo subscritor.

Uma outra situação curiosa, mas relativa ao seu mandato como Governador Civil de Castelo Branco, refere-se à construção de um novo balneário nas Termas da Touca (Alpedrinha). Diz assim uma inscrição na fachada dos balneários: “Começou esta obra no ano de 1866, sendo Governador Civil, Guilhermino Augusto Barros. Findou no ano de 1874, sendo Governador Civil, João José Vaz Preto Geraldes”. Como se pode ver, uma intervenção de dois governadores civis com fortes ligações à Lousa.

Escreveu inúmeras poesias em diferentes periódicos literários, poesia ultra-romântica, ao jeito e à moda da sua época.

Foi na Lousa, em 1879, que Guilhermino Augusto de Barros escreveu o notável romance histórico “O Castelo de Monsanto” que se desenvolve em torno dos preparativos para a incursão de D. Afonso V, por Castela, reclamando o trono para sua sobrinha, D. Joana a Excelente Senhora, com quem entretanto casara. A personagem principal é Branca, chamada «A Pérola», sobrinha do cardeal de Alpedrinha, o famoso D. Jorge da Costa. A jovem e bonita Branca tem uma paixão pelo irmão do conde de Monsanto, D. Rodrigo de Castro.

Praticamente no fim da sua vida, escreveu, em 1894, o livro “Os Contos do Fim do Século”, um poema épico de elogio aos homens que promoveram a mudança da sociedade portuguesa ao longo do século XIX.

Era grande amigo de Alexandre Herculano com o qual trocava correspondência. Essa relação de amizade poderá estar na origem da visita que Herculano efectuou à Lousa tendo sido recebido em casa de João José Vaz Preto, onde também residia Guilhermino de Barros. Foi assim que Herculano relatou essa estadia em “Apontamentos de Viagem pelo País”:

Setembro 1 - Partida das Águas para a Lousa, a 4 léguas e a 5 de Penamacor. Bestas genuínas de Penamacor. Caminhamos uma légua de noite; madrugada abafadiça; o território pela maior parte nu e com leves acidentes .....

Deixamos à esquerda Monsanto, ponto fortíssimo pela altura e isolamento da montanha em que está colocado e que se avista de quase todos os pontos elevados aquém Estrela; o seu antigo castelo, foi modernamente substituído por novas fortificações que voaram em consequência de um raio .....

Descemos a um vale profundo e assaz largo, por cujo meio passa o Alpreade em cujo leito areado se vêem alguns pegos e mesmo correr alguma água, nos sítios onde se não some por baixo da areia. Sobem-se outra vez algumas ladeiras e encaminhamo-nos para a Lousa, quase escondida no horizonte no meio de um círculo de arvoredo; terrenos áridos e pobres, mas geralmente cultivados do cereal mais comum da Beira oriental, o centeio. Chegamos à Lousa. Somos recebidos em casa de João José Vaz Preto.

Setembro 6 – Passeio pela manhã cedo com João Vaz Preto até aos outeiros à esquerda da quinta da Lousa: propriedade destes terrenos pela sua configuração ondulada para a construção dos lagos lombardos. A manhã fresca e o céu puro. Horizontes bem distintos.

A Beira Baixa, olhando em volta, parece um plano onde se eleva ao centro o monte de Castelo Branco, em cuja encosta oriental alveja a cidade. Este plano parece fechado semi circularmente de sudoeste a norte pelo prolongamento da Serra da Estrela a Abrantes; ao sul e sueste pelas serranias do Alto Alentejo e ao nascente pelas alturas que correm para o sul desde o elevado ponto de Monsanto.

Creio que partimos depois para Castelo Branco, depois para Vila Velha de Ródão, onde embarcamos no bote do Guerra vindo todo o Tejo até Santarém, onde nos demoramos poucos dias. Daí para Lisboa.

Como homenagem, nos anos 50, foi atribuído o seu nome a uma rua da cidade de Castelo Branco, junto à igreja do Cansado (segunda transversal entre a Alameda do Cansado e a Rua do Matadouro) “Rua Guilhermino de Barros”.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Quem foi Joaquim Manuel Botelho

Uma situação que sempre me intrigou no cemitério da Lousa, é a existência, mesmo junto à porta principal e bem no meio da passagem, de uma campa coberta com uma lápide em granito, sobre a qual muitas pessoas passam, principalmente nos dias em que há algum funeral.

Quando eu era miúdo e ia ao cemitério, fazia por tudo para não passar por cima dessa sepultura. Questionando quem era e porque o enterraram ali, lembro-me de ouvir na voz do povo que era um homem muito rico mas que tratou mal muita gente. Quando morreu foi ali enterrado para ser pisado, quando morto, por todos aqueles que maltratou, enquanto vivo.

Não sabendo o teor de verdade daquela razão, que também não respondia ás minhas questões, parti recentemente para uma pequena investigação que me ajudou, pelo menos, a identificar quem era a pessoa.

Decifrada a inscrição gravada na lápide e fazendo mais algumas pesquisas, verificamos que se encontra ali sepultado Joaquim Manuel Botelho, nada mais do que o fundador da família Botelho de Escalos de Cima, que tanto quanto sabemos nunca teve nada a ver com a Lousa, a não ser que frequentava a nossa igreja, como veremos mais adiante. Vejamos então um pouco dos costados e da descendência deste senhor:

- O Alferes Manuel Fernandes Carrilho, casado com Maria Jerónima, naturais da Lardosa, foram pais do Alferes Manuel Fernandes Carrilho Grilo.

- O Alferes Manuel Fernandes Carrilho Grilo, casado com Catarina Gonçalves Louro, filha de António Gonçalves Saraiva e de Maria Gonçalves Louro, da Lardosa, foram os pais de Manuel Fernandes Carrilho de Aragão.

- Manuel Fernandes Carrilho de Aragão, Capitão de Ordenanças casado com Isabel Maria Botelho, sobrinha do Vigário da Fatela, aparentada com Maria de Eça Teles, Administradora do Morgado do Paul, foram os pais de Joaquim Manuel Botelho.

- Joaquim Manuel Botelho, nasceu na Lardosa em 12-06-1761 e faleceu em Escalos de Cima em 16-08-1826 (ver assento de óbito mais abaixo), tendo sido sepultado no cemitério da Lousa. Foi Sargento Mor de Milícias, abastado proprietário em Escalos de Cima, onde exerceu o cargo de Inspector das Amoreiras e foi-lhe passada Carta de Brasão de Armas. Foi casado com Angélica Maria Joaquina Baptista Álvares, natural de Urgeira – Guarda e foram os pais de António Justiniano Batista Botelho.

Relativamente à sua descendência temos:

- António Justiniano Batista Botelho, natural dos Escalos de Cima, foi Bacharel. Do seu terceiro casamento com Joaquina Amália da Silva Biscaia Hortas de Gáfete, tiveram João Baptista da Silva Hortas Botelho em 23-05-1845 e Inês Angélica Hortas Botelho em 19-05-1846 a qual casou com José Lúcio Gouveia, 1º Barão de Gáfete em 23-05-1882 e faleceu em Gáfete (Crato) em 30-09-1931.

- João Baptista da Silva Hortas Botelho nasceu em Escalos de Cima em 23-05-1845. Casou com sua prima Maria José de Barros Castelo Branco, filha de Tomé de Barros de Castelo Branco e de Maria Cassiana Biscaia e Silva, e tiveram Tomé de Barros Botelho (sem geração), Maria da Conceição de Barros Botelho em 23-01-1874 que viveu e casou em Gáfete (Crato), com João Rafael de Morais, e Luís António de Barros Botelho em 22-09-1883 que casou com Maria do Sagrado Coração de Jesus Correia da Silva de Sampaio de Melo e Castro, que era filha dos 1ºs Viscondes de Castelo Novo.

Identificado o senhor, a sua origem e a sua descendência, falta apenas saber porque foi sepultado na Lousa em vez dos Escalos de Cima e porquê naquele local. Quanto a isso pouco ou quase nada descobrimos.

Consultando o Livro de Registo de Óbitos da Paróquia da Lousa, entre 1812 e 1859, encontramos o seguinte registo:

“Joaquim Manoel Bottelho viúvo natural de Escallos de Cima, e fregues desta Freguesia, faleceo com todos os Sacramentos em dezaceis de Agosto de mil oito centos e vinte e seis, e fez testamento. Foi sepultado no cemitério da Freguesia. E para constar fis este termo, que assinei. Louza dia mes era supra.
Vigº Fr. Joaquim Antonio Felisberto Grandella”

Este registo nada nos diz relativamente aos motivos, referindo apenas que Joaquim Manuel Botelho frequentava a igreja da Lousa (era paroquiano – fregues) e fez testamento. Diz também que faleceu em 16 de Agosto de 1821 o que contraria a data indicada na lápide.

Refira-se ainda que quando faleceu, os mortos nos Escalos de Cima eram sepultados no adro da igreja, pois só veio a ter cemitério em 1838. A Lousa já tinha cemitério desde 1815, localizado ao lado da igreja (entre a igreja e o quintal dos Goulões). O cemitério actual só foi construído em 1885, pelo que podemos concluir que terá sido sepultado no cemitério velho e trasladado, em 1885, para o cemitério novo, altura em que terá sido colocada a lápide.

Porque foi sepultado no cemitério da Lousa e naquele local, porque frequentava a igreja da Lousa em vez da de Escalos de Cima, são questões a que não sabemos responder, pelo que ficamos por aqui ... por enquanto.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Professor JOSÉ GARDETE

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O professor José Gardete não era natural da Lousa mas dedicou-lhe mais de 50 anos da sua vida. A partir da década de 50 e durante cerca de trinta anos, ensinou as primeiras letras à maior parte dos Lousenses de então, o que, e atendendo ao método de ensino que se utilizava na altura, o tornou amado por muitos mas também criticado por alguns.

Amante da natureza, do civismo e da cidadania, nunca se furtou a ocupar cargos de responsabilidade em diversas comissões e associações, bem como cargos de natureza pública, sempre pela causa da Lousa, não reclamando para si atenções e louvores, que lhe seriam de todo devidos por mérito e dedicação.

Merecedor, em nosso entender, desta pequena homenagem pela sua dedicação à Lousa, não poderíamos deixar de referir, no aniversário do seu falecimento, aquilo que foi o seu percurso pessoal, profissional e de cidadania.

José Gardete, nasceu a 22 de Maio de 1922, na localidade de Alares, freguesia do Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova. Frequentou o liceu em Castelo Branco e foi habilitado pelo exame de Aptidão Pedagógica, também em Castelo Branco, no dia 20 de Junho de 1941. Frequentou, ainda, o curso de actualização para pessoal docente do Ensino Primário, em Outubro de 1970.

Começou a leccionar no ano lectivo de 1941/1942 na freguesia de Escalos de Cima onde se manteve até ao ano de 1950.

No ano lectivo de 1950/1951 passou a leccionar na freguesia de Lousa com data de provimento definitivo de 1 de Outubro de 1950, local onde se manteve até à reforma em 1980 com 40 anos de serviço.

Com residência na Lousa, onde casou com Maria de Lurdes Oliveira Goulão Gardete, de quem teve três filhos, sempre dedicou muito interesse pelas coisas públicas de onde podemos realçar:

- O carinho que sempre incutiu nos seus alunos pelo respeito ao ambiente e a tudo o que se relacionava com civismo e cidadania;

- Em 1 de Janeiro de 1952, dia de Ano Novo, à saída da missa e em pleno Adro da Igreja, formalizou a criação do Grupo Desportivo da Lousa, que mais tarde se viria a chamar de União Lousense, e que, felizmente, ainda hoje perdura, desempenhando papel de relevo nas actividades desportivas, sociais e também culturais dos Lousenses;

- Foi o grande mentor do diálogo, da definição e do arranque da construção do campo de futebol nas Naves, em terreno cedido pela família Vaz Preto e em representação dos desportistas da Lousa;

- Desde 1958 até ao seu falecimento sempre defendeu, acarinhou e lutou, pela preservação das Danças Tradicionais da Lousa, a par de Eurico de Salles Viana, sem os quais, as referidas Danças, não teriam chegado até aos nossos dias;

- Entre várias comissões e grupos de trabalho a que pertenceu, também foi presidente da Junta de Freguesia durante vários anos.

Faleceu em 31 de Dezembro de 1999 com 77 anos de idade, tendo sido enterrado, no cemitério da Lousa, no primeiro dia do ano 2000.

O prof. Gardete com a esposa, filhos e restante família Goulão
(Foto cedida por Tó Manuel Gardete)
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