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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vandalismo é moda

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Mais uma vez a malandragem invadiu o jardim da Junta de Freguesia para estragar aquilo que é de todos nós. Foi a noite passada, que algum, ou alguns, artistas falhados, fizeram na parede do jardim e do edifício da junta, a “obra de arte” que se pode ver na fotografia.

É lamentável a falta de princípios, de civismo e de respeito que algumas pessoas têm ao fazerem estas porcarias em locais privados ou de natureza pública. Além de ser um acto ilegal, quando alguém pinta ou estraga equipamentos e mobiliário urbano, estão a contribuir para uma despesa acrescida que sai do bolso de todos nós, os contribuintes.

Fazem isto porquê? Por simples malandragem ou por falta de ocupação dos tempos livres, já que de arte não percebem mesmo nada? Deve ser por pura malandragem, porque se quiserem ocupar tempos livres têm várias opções. Têm uma sala com computadores para acesso à internet. Têm uma rede gratuita em toda a freguesia de acesso à internet sem fios. Têm uma biblioteca com muitos e bons livros. Têm um Clube desportivo e cultural com diversas actividades em curso, nomeadamente torneios de snoocker e sueca. Têm um polidesportivo onde podem praticar desporto.

Não, nada disto interessa. Está na moda estragar, é muito fixe e tem adrenalina. O que interessa é fazer parte da tribo.

... talvez um dia alguém veja quem são.
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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Amigos do alheio

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Roubos e mais roubos. Passou a ser assim o quotidiano da Lousa. Da pacatez que, de um modo geral, sempre a caracterizou, a Lousa passou a ser, desde algum tempo atrás, um alvo preferido pelos amigos do alheio.

Num dia é a cabra que desaparece. No outro dia são os cabritos. Umas vezes vão as galinhas, os galos e os patos. Noutras vão os alhos e as cebolas. Hoje foram as batatas, já arrancadinhas e armazenadas. Além disto também ficam as portas arrombadas e as fechaduras estragadas.

Por esta altura os larápios já devem ter a arca congeladora e a despensa bem recheada. Ou será que se dedicam à restauração?

A situação que começa a ser insustentável e que está a provocar a revolta de alguns populares, leva-nos a deixar aqui uma pergunta: onde andam as forças da ordem que depois de queixas constantes não conseguem apanhar os larápios?

Consta por aí que há suspeitos, mas se há e com a quantidade de roubos que tem acontecido ultimamente, deveria ser fácil apanha-los em fragrante se houvesse algum empenho.

É necessário acabar com isto. Afinal é o dinheiro e o trabalho árduo das pessoas que está a ser roubado.
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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Maneiras de ser

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Todos sabemos que nos dias em que o pessoal dos hiper mercados vem distribuir publicidade, as ruas ficam um caos. Há papeis espalhados por todo o lado e outros voando ao sabor do vento, mas há situações que podiam e deviam ser evitadas.

Hoje assisti a um facto que não posso deixar de comentar. Quando passava numa determinada rua da Lousa, vi uma pessoa retirar um desses folhetos de publicidade, da sua caixa de correio, tendo-o amarrotado e deitado para o chão da rua, bem em frente à sua casa, quando tinha, a uma escassa meia dúzia de metros, uma papeleira para recolha de papeis.

Não me conseguindo conter, perante tal atitude, observei à pessoa que o folheto deveria ter sido deitado na papeleira que se encontrava tão perto e não no chão da rua. Sabem a resposta que recebi? “Os varredores da junta depois limpam”.

É verdade, é uma obrigação da Junta de Freguesia, manter as ruas limpas, mas francamente, um pouco de asseio, de educação e de respeito pelos outros, não fica mal a ninguém.

Quem me conhece bem, sabe que sou um bairrista convicto, mas perante esta situação e outras a que já assisti, não posso deixar de fazer uma comparação.
Quase todos os dias atravesso os Escalos de Cima quando venho de Castelo Branco. A contracenar com esta situação da Lousa, é frequente ver algumas pessoas a varrer o passeio em frente à sua casa. E lá também há varredores da Junta de Freguesia.

Enfim, são maneiras diferentes de ser.
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terça-feira, 3 de junho de 2008

Sem perspectivas de futuro?

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Eram onze horas. O sino da torre dobrava, anunciando que tinha falecido alguém. Era a hora do funeral.

Estava no adro da igreja. A meu lado, sentado no cais, um idoso de bengala olhava para mim. Com alguma tristeza estampada no rosto, comentou: “coitado do Centeio, já se foi. Qualquer dia, não há cá ninguém. Olha pra isto, só cá há velhos”.

Olhando em redor, confirmei aquilo que há muito todos sabemos. Sentados no cais, cerca de uma dezena de idosos aguardavam a chegada do funeral. Na rua nada se vislumbra a não ser o vazio, as casas sem ninguém e as placas coloridas a dizer “Vende-se”.

Finalmente o funeral chega. Trazia bastante gente e pensei, afinal ..., mas não, a maioria das pessoas é de fora. São familiares e amigos da família enlutada, que vieram prestar ao Centeio uma ultima homenagem. Uns, por entre outros, eram residentes da Lousa. Também idosos e idosas na sua maioria. Muitos são reformados, outros são viúvos. Alguns mais novos são ex-emigrantes, que regressaram à terra depois de terem amealhado o suficiente para terem uma velhice descansada.

Ao lado, a caminho do almoço no Centro de Dia, passam as crianças do infantário acompanhadas das educadoras. Dezasseis crianças, metade das quais são da vizinha freguesia da Mata. Apenas nos restam oito crianças em idade pré-escolar. Enorme contraste quando sabemos que nos princípios dos anos sessenta havia quase duas centenas de crianças na escola.

Pensei no resto da freguesia. Em muitos locais e ruas, o silêncio é o único vizinho comum aos poucos que ainda vão resistindo. As pessoas já se esqueceram do tempo em que se ouviam os risos de crianças e em que, logo pela madrugada, as ruas eram invadidas por imensas pessoas e animais a caminho do campo.

Hoje não se vê actividade, apenas reside a calma, uma calma assustadora que parece assombrar tudo. Os idosos são cada vez mais idosos e vão morrendo. As crianças não nascem.

Infelizmente é esta a realidade da Lousa e das povoações vizinhas. Caminhamos a passos largos para uma situação de desequilíbrio total.
A Lousa está a tornar-se numa aldeia envelhecida e doente, sem jovialidade e sem perspectivas de futuro.
Mas, que devemos fazer para inverter esta realidade? Não consigo vez nenhuma luz ao fundo deste tenebroso túnel.
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terça-feira, 20 de maio de 2008

A mudança dos tempos e a festa

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Vem isto a propósito dos dias destinados à realização da Festa em Honra de Nossa Senhora dos Altos Céus, pois muitos se recordarão ainda, quando a festa se iniciava no sábado e terminava na terça-feira.

Uma das principais condições para se ter sucesso, é estar sempre atento à mudança dos tempos. O tempo passa e tudo muda. Muda o gosto e a vontade das pessoas. Mudam as condições sociais e económicas. Mudam as condições de trabalho e de emprego. Muda a maneira de viver das pessoas e a sua disponibilidade.

A seguir ao 25 de Abril, uma das conquistas dos trabalhadores foi deixarem de trabalhar aos sábados. Podemos dizer que a partir do fim da tarde de sexta-feira, as pessoas entravam em fim de semana. Em finais dos anos 70, uma comissão viu nisso uma oportunidade e antecipou o inicio dos festejos para a noite de sexta-feira. Uma mudança que se mostrou acertada pois essa noite passou a ser a segunda melhor da festa.

Ao longo dos anos, terça-feira foi sempre um dia exclusivamente destinado a jogos populares e actividade desportiva, onde praticamente só participavam pessoas da Lousa. A deslocação de muitos Lousenses para locais distantes, onde têm o seu trabalho que os obriga a regressar ao domingo, o mais tardar segunda-feira, a escassez cada vez maior de crianças, os emigrantes que deixaram de vir em massa por altura da festa, foram situações que, de ano para ano, tiraram à terça-feira, a importância e o movimento de outrora. A comissão do ano de 2003, tendo-se apercebido dessa situação, passou a terminar a festa na noite de segunda-feira, poupando com isso esforços vãs e recursos. Mais uma mudança que se impunha.

Aqui temos dois exemplos de sucesso, do que significa estar atento à mudança dos tempos. Não ter medo das mudanças, quando elas se justificam, revela-se inteligente e necessário.
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sábado, 17 de maio de 2008

O seu a seu dono

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Quando se entra no recinto das festas de Nossa Senhora dos Altos Céus, o primeiro contacto visual que se tem é com a quermesse, que este ano ostenta um toldo novo, que bem necessitava, o qual tem na aba, quase em toda a sua volta, escrito em letras garrafais “COMISSÃO DE FESTAS 2007”.

Um visitante que chegue ali, ao primeiro impacto com aquela enorme inscrição, dirá: “bolas, enganei-me, esta festa é a do ano passado”. Caindo em si, talvez pense: “não, aquilo quer dizer que foi a Comissão de Festas de 2007, que construiu a quermesse”.

Puro engano. Nem uma coisa, nem outra. Nem o visitante viajou no tempo chegando um ano mais cedo, nem a Comissão de Festas de 2007 construiu a quermesse. Para que não restem dúvidas, há que dar o seu a seu dono.

A estrutura exterior da quermesse foi feita pela Comissão de 1987, a estrutura interior incluindo as prateleiras foi feita pela Comissão de 2005, e o toldo, esse sim, foi feito pela Comissão de 2007.
O mesmo se passa em relação ao palco. A Comissão de 2007 mandou fazer os toldos laterais e muito bem, mas o palco foi construído, na sua totalidade, pela Comissão de 2005, à qual também tive a honra de pertencer.

Não somos contra a colocação da referência das Comissões nos elementos de logística que oferecem, pois acaba por ser um prémio pelo trabalho, esforço e empenho, que puseram na realização das festas. No entanto, induzir em erro as pessoas e ofuscar o trabalho dos outros, que puseram também muito empenho, esforço e dedicação, para que as festas fossem um êxito, não nos parece justo. Nestes casos concretos, em letras bem mais pequenas e num canto mais dissimulado, bem poderiam ter escrito: “Toldo mandado construir pela Comissão de Festas de 2007”. Assim estaria mais correcto, ninguém seria induzido em erro e toda a gente saberia.

Afinal, um pouco de discrição é bonito e fica sempre bem.
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